Poderíamos refletir sobre o nosso
património cultural arquitetónico, realçando o facto de recentemente a Cidade
de Nova Sintra ser considerada património cultural nacional, o que devia ser
motivo de satisfação para todos os cidadãos que ali residem, por ser o reconhecimento
das especificidades desta Cidade e pelo valor intrínseco que ela representa,
contudo, penso que esse título, deverá ser motivo de uma análise mais cuidada,
uma vez, que um título, não poderá vir a
ser um obstáculo ao desenvolvimento, mas antes, deve ser enquadrada numa
estratégia de desenvolvimento.
O cerne da
questão que trago hoje, porém, não tem a ver com a preservação do património
físico e material, mas sim, para a preservação
do património cultural Imaterial, o qual carece de uma profunda reflexão.
A cultura numa análise minimalista, é aquilo que nos define como povo, e são vários os traços culturais imateriais que nos
definem como tal. Porém, não vivemos só neste mundo, que é nosso e de todos,
vivemos num mundo cada vez mais globalizado, onde o fluxo de informação é cada
vez maior, diminuindo as distâncias e aumentado a comunicação entre as pessoas.
Assim, os traços culturais dos povos estão
sujeitas a diversas mutações que vão moldando a nossa cultura, conforme a
aceitação ou não das pessoas, colocando em perigo a própria cultura local.
A nossa cultura
é marcada por traços que nos identificam, traços que estão sujeitas a padrões
valorativos, contudo, é cada vez mais eminente a necessidade de preservação dos
traços que definem o nosso povo, neste mundo globalizado, e é cada vez mais
necessário que a sociedade tome consciência deste fenómeno, e que a discuta, aceitando
modelos que são, de facto, uma mais-valia para a nossa riqueza cultural, mas criticando
e atuando socialmente, de igual modo, contra os padrões que colocam em risco as
nossas especificidades culturais que queremos preservar.
Neste ponto, as
instituições e as organizações da sociedade civil, têm um papel muito
importante, começando, desde logo, pela família,
a primeira e a mais importante das instituições socias, passando por
outras, como a escola, as organizações da sociedade civil, a igreja,
entre outros, que neste mundo globalizado, têm um papel fundamental na preservação
cultural, e na própria formação dos indivíduos.
Essa preparação
é fundamental não só para os indivíduos que residem em Cabo Verde, mas também,
para os indivíduos que escolheram outros países para viverem.
Não deve ser negligenciado o facto, de hoje,
muitos cabo-verdianos infelizmente estarem nas portas da justiça em muitos
países que fazem parte da nossa diáspora, com
comportamentos que não dignificam nem representam a nossa cultura, uma cultura de paz social, que tanto nos
orgulha.
Atendendo a
nossa realidade local, marcada pela falta de recursos, e as oportunidades que a
nossa emigração encontra nos países acolhedores, é preocupante que muitos dos
nossos patrícios desperdiçam estas
oportunidades, enviesando pelo mundo da criminalidade, com comportamentos que conotam
uma imagem negativa para o nosso país.
A formação dos indivíduos e a
preservação dos nossos valores e da nossa cultura deve servir de base para uma
boa organização social nacional, mas também, na formação das pessoas que
constituem a nossa emigração e que são parte desta grande nação apelidada, tantas
vezes, de Nação Global.
Jonathan Vieira

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