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sábado, 28 de maio de 2016

A preservação do Património Imaterial

Quando falamos de património cultural podemos de identificar claramente duas tipologias de património bem visíveis na vivência povos: São eles o património físico, material ou arquitetónico e o património imaterial, entrando no campo dos valores e da própria cultura.
Poderíamos refletir sobre o nosso património cultural arquitetónico, realçando o facto de recentemente a Cidade de Nova Sintra ser considerada património cultural nacional, o que devia ser motivo de satisfação para todos os cidadãos que ali residem, por ser o reconhecimento das especificidades desta Cidade e pelo valor intrínseco que ela representa, contudo, penso que esse título, deverá ser motivo de uma análise mais cuidada, uma vez, que um título, não poderá vir a ser um obstáculo ao desenvolvimento, mas antes, deve ser enquadrada numa estratégia de desenvolvimento.
O cerne da questão que trago hoje, porém, não tem a ver com a preservação do património físico e material, mas sim, para a preservação do património cultural Imaterial, o qual carece de uma profunda reflexão.
 A cultura numa análise minimalista, é aquilo que nos define como povo, e são vários os traços culturais imateriais que nos definem como tal. Porém, não vivemos só neste mundo, que é nosso e de todos, vivemos num mundo cada vez mais globalizado, onde o fluxo de informação é cada vez maior, diminuindo as distâncias e aumentado a comunicação entre as pessoas. Assim, os traços culturais dos povos estão sujeitas a diversas mutações que vão moldando a nossa cultura, conforme a aceitação ou não das pessoas, colocando em perigo a própria cultura local.
A nossa cultura é marcada por traços que nos identificam, traços que estão sujeitas a padrões valorativos, contudo, é cada vez mais eminente a necessidade de preservação dos traços que definem o nosso povo, neste mundo globalizado, e é cada vez mais necessário que a sociedade tome consciência deste fenómeno, e que a discuta, aceitando modelos que são, de facto, uma mais-valia para a nossa riqueza cultural, mas criticando e atuando socialmente, de igual modo, contra os padrões que colocam em risco as nossas especificidades culturais que queremos preservar.
Neste ponto, as instituições e as organizações da sociedade civil, têm um papel muito importante, começando, desde logo, pela família, a primeira e a mais importante das instituições socias, passando por outras, como a escola, as organizações da sociedade civil, a igreja, entre outros, que neste mundo globalizado, têm um papel fundamental na preservação cultural, e na própria formação dos indivíduos.
Essa preparação é fundamental não só para os indivíduos que residem em Cabo Verde, mas também, para os indivíduos que escolheram outros países para viverem.
 Não deve ser negligenciado o facto, de hoje, muitos cabo-verdianos infelizmente estarem nas portas da justiça em muitos países que fazem parte da nossa diáspora, com comportamentos que não dignificam nem representam a nossa cultura, uma cultura de paz social, que tanto nos orgulha.

Atendendo a nossa realidade local, marcada pela falta de recursos, e as oportunidades que a nossa emigração encontra nos países acolhedores, é preocupante que muitos dos nossos patrícios desperdiçam estas oportunidades, enviesando pelo mundo da criminalidade, com comportamentos que conotam uma imagem negativa para o nosso país.
A formação dos indivíduos e a preservação dos nossos valores e da nossa cultura deve servir de base para uma boa organização social nacional, mas também, na formação das pessoas que constituem a nossa emigração e que são parte desta grande nação apelidada, tantas vezes, de Nação Global.



Jonathan Vieira

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