O bem comum está acima de qualquer opção política ou
ideológica e é tendo isto, sempre, bem presente que escrevo aos meus
concidadãos.
Soube por fontes oficiais que se encontra
neste momento, em vias de construção, um hospital regional para as ilhas do
Fogo e da Brava. A melhoria das condições de prestação de serviços de saúde é
sempre de salutar e, de facto, Cabo Verde tem tido uma evolução no acesso aos
serviços de saúde que se tem refletido no aumento da esperança média de vida e
no índice do desenvolvimento humano.
Sem desconsiderar estes factos,
uma obra pública tem sempre como objetivo suprimir uma determinada necessidade
e a prossecução de uma determinada política para atingir um determinado fim. A
construção de um hospital regional terá de corresponder as necessidades de uma
região, ou seja, das ilhas do Fogo e da Brava.
Por experiência própria, para se deslocar a
ilha do Fogo demora-se no mínimo 30 minutos, sem contar com outros
condicionalismos como a disponibilidade de transportes, o tempo, etc. que
poderão condicionar a viagem de uma ilha para a outra, e em questões de saúde,
tudo é importante.
Sem me apoiar em argumentos bairristas,
não me é difícil, constatar que das instituições que servem as duas ilhas a
maioria está sediada na ilha do Fogo. Se queremos construir uma região sólida,
e se for esse o desígnio, temos de garantir que essa construção tenha em conta
a justiça e equidade necessária. Não se pode, numa região, criar dinâmicas
socias e económicas numa ilha em detrimento da outra. As regiões se devem
desenvolver tendo em conta as especificidades de cada uma das partes e o
contributo que elas podem gerar para o todo regional: Por exemplo, porquê é que
não se construiu as escolas de formação profissional na Brava, uma vez, que
dispomos de um ambiente calmo e propiciador para os estudos.
Na questão da saúde, um hospital
regional terá de corresponder as demandas das duas ilhas e um hospital regional
poderá suprimir algumas falhas, mas não todas. Considero, por isso, importante,
que o nosso hospital local tenha boas condições de prestação de serviços de
saúde, capazes de, em casos de urgência, responder na nossa ilha à estes casos
com capacidade para garantir que os doentes estejam estáveis, até conseguirem
ser eventualmente evacuados.
Acredito que, pela nossa
dimensão, não seria realista que pretendêssemos que a Brava tivesse condições
de saúde como a cidade da Praia ou outros grandes centros urbanos, mas acredito,
seriamente, que poderemos ter melhores condições de prestação de serviços de
urgência, tendo em conta o nosso historial de catástrofes naturais: como o mau
tempo e pequenos abalos sísmicos, mas também, devido ao facto de sermos ilhas,
e a deslocação estar dependente do transporte marítimo, que nem sempre poderá
estar disponível; Do tempo que poderá não favorecer a viagem entre as ilhas,
entre outros condicionalismos.
Por último, faço um apelo aos
nossos eleitos nacionais e municipais que defendam o interesse dos Bravenses, pois,
“a centralização” dos serviços descentralizados do Estado na ilha do fogo tem
causado enormes transtornos aos cidadãos da Brava que sentem que a deslocação
para ilha do Fogo, poderia ser evitada e que se justifica, que certos serviços,
sejam prestados ao nível local.
Nesta época especial queria
endereçar aos leitores da Bravanews, os meus votos de um Feliz Natal e um ano
novo repleto de sucessos nas nossas vidas pessoais, mas sobretudo, para que
2014 seja um ano bom para a nossa ilha.
Jonathan Vieira
manuelvieira19@live.com.pt

0 comentários :
Enviar um comentário