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sábado, 28 de maio de 2016

Tempos de Crise



Vivemos em tempo de crise, apesar de nem sequer termos uma participação ativa na sua emergência, a verdade é que ela atinge a tudo e a todos sem exceção. A globalização dos fenómenos e dos processos fez com que a economia mundial mergulhasse numa profunda recessão, iniciada pela crise imobiliária de 2007-2008 nos Estado Unidos, e que rapidamente se internacionalizou. A Europa foi confrontada em 2009 com a crise das dívidas soberanas, o que a obrigou a reduzir de forma drástica a despesa pública dos Estados Europeus. Estamos, pois, falando de duas entidades políticas importantíssimos para Cabo Verde, sendo a Europa o seu principal parceiro económico. Nesta conjuntura, ninguém fica imune aos sacrifícios, exigindo de todos uma postura adequada ao tempo presente.
Cabo Verde, como país pobre que é, não é dotado de recursos que lhe permita garantir a autossuficiência para alcançar um desenvolvimento considerável a médio longo-prazo, por isso, o seu desenvolvimento é em grande parte financiado por países estrangeiros, através de um modelo de cooperação que engloba empréstimos, ajudas orçamentais, entre outros, com os quais tem sido ao longo dos anos levados a cabo vários projetos que têm contribuído para a construção de infraestruturas, com um impacto significativo na melhoria das condições de vida dos cidadãos.
A crise traduz-se, não só, na redução das ajudas externas ao Estado, mas também, na redução das exportações, num fluxo menor de turismo, numa menor quantidade de investimento estrangeiro, e ainda na diminuição das remessas dos imigrantes, cujos dados do Banco de Cabo Verde apontam para uma redução na ordem dos 23,1% em termos homólogos.
 A nossa vulnerabilidade face ao cenário internacional nos coloca numa posição verdadeiramente difícil. OS Estado Unidos e a Europa são importantíssimos para Cabo Verde: Albergam grande parte da nossa comunidade emigrante, são entidades com os quais desenvolvemos excelentes relações comerciais e no caso específico da Europa, mais concretamente com Portugal, com o qual o nosso país tem um acordo de cooperação cambial. São ainda os principais financiadores de programas de desenvolvimento, como as tranches do programa Millenium Chalenge Account são prova.
A crise das dívidas soberanas que se abateu sobre os países da Europa tem exigido dos governos uma redução excecional da despesa pública à custa de muita contestação social, da mesma forma, que o povo habituado a viver com muito e sem preocupação, acostumado a ter sempre um aumento salarial em vez da redução, foi apanhada desprevenida.
A situação para os nossos parceiros é preocupante, e o facto, é que ela afectará de forma decisiva o nosso desenvolvimento. Para um país que depende muito da ajuda externa o caminho a seguir é a redução gradual da dependência face ao exterior, criando mecanismos que permitam explorar ao máximo as nossas potencialidades, como o sol, o mar ou o nosso posicionamento geoestratégico, que facilmente ganham eco no discurso político, mas que na prática muito pouso se tem feito.
O primeiro passo para enfrentarmos esses tempos difíceis, será sem dúvida a boa governação e uma boa gestão dos recursos, que por enquanto, temos a nossa disposição, para que possamos criar uma economia forte e competitiva e garantirmos uma boa integração no mercado internacional e fazermos, de facto, do nosso país um lugar atractivo ao investimento. 
A boa gestão que não pode ser confundida com uma gestão pouco ambiciosa e demasiada apegada a conjuntura. A crise tem o outro lado da moeda: deve servir de estimulo a criatividade e a audácia, de resto, penso ser este o que implicitamente afirmou o nosso Primeiro-Ministro, numa declaração no inicio do ano, onde afirmou que “2013 será o quê que os Cabo-verdianos quiserem” e este é o espirito pelo qual nos devemos nortear nestes tempos difíceis, tentado atenuar os impactos das dificuldades atuais, mas vislumbrando o futuro, pelo qual não devemos temer, mas agir hoje para que ela possa ser o melhor possível.
A história de Cabo Verde nos ensina que não nos devemos resignar face às conjunturas, por pior que elas sejam, e foi assim que se construiu este país e é assim que vencemos e devemos continuar a vencer as nossas dificuldades. Hoje somos um país de rendimento médio, a batalha do desenvolvimento não está ganha, bem pelo contrário, os desafios que se nos colocam são cada vez mais exigentes e exigem de todos um esforço cada vez maior, face aos nossos condicionalismos internos marcada pela escassez de recursos, mas também, por um cenário internacional pouco favorável.
                                                                                                                                                                                           Jonathan Vieira 

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