Vivemos
em tempo de crise, apesar de nem sequer termos uma participação ativa na sua emergência,
a verdade é que ela atinge a tudo e a todos sem exceção. A globalização dos
fenómenos e dos processos fez com que a economia mundial mergulhasse numa
profunda recessão, iniciada pela crise imobiliária de 2007-2008 nos Estado Unidos,
e que rapidamente se internacionalizou. A Europa foi confrontada em 2009 com a
crise das dívidas soberanas, o que a obrigou a reduzir de forma drástica a despesa
pública dos Estados Europeus. Estamos, pois, falando de duas entidades
políticas importantíssimos para Cabo Verde, sendo a Europa o seu principal
parceiro económico. Nesta conjuntura, ninguém fica imune aos sacrifícios, exigindo
de todos uma postura adequada ao tempo presente.
Cabo Verde, como país
pobre que é, não é dotado de recursos que lhe permita garantir a autossuficiência
para alcançar um desenvolvimento considerável a médio longo-prazo, por isso, o
seu desenvolvimento é em grande parte financiado por países estrangeiros,
através de um modelo de cooperação que engloba empréstimos, ajudas orçamentais,
entre outros, com os quais tem sido ao longo dos anos levados a cabo vários projetos
que têm contribuído para a construção de infraestruturas, com um impacto
significativo na melhoria das condições de vida dos cidadãos.
A crise traduz-se, não
só, na redução das ajudas externas ao Estado, mas também, na redução das
exportações, num fluxo menor de turismo, numa menor quantidade de investimento estrangeiro,
e ainda na diminuição das remessas dos imigrantes, cujos dados do Banco de Cabo
Verde apontam para uma redução na ordem dos 23,1% em termos homólogos.
A nossa vulnerabilidade face ao cenário internacional
nos coloca numa posição verdadeiramente difícil. OS Estado Unidos e a Europa
são importantíssimos para Cabo Verde: Albergam grande parte da nossa comunidade
emigrante, são entidades com os quais desenvolvemos excelentes relações
comerciais e no caso específico da Europa, mais concretamente com Portugal, com
o qual o nosso país tem um acordo de cooperação cambial. São ainda os
principais financiadores de programas de desenvolvimento, como as tranches do programa Millenium Chalenge Account são prova.
A crise das dívidas
soberanas que se abateu sobre os países da Europa tem exigido dos governos uma
redução excecional da despesa pública à custa de muita contestação social, da
mesma forma, que o povo habituado a viver com muito e sem preocupação, acostumado
a ter sempre um aumento salarial em vez da redução, foi apanhada desprevenida.
A situação para os
nossos parceiros é preocupante, e o facto, é que ela afectará de forma decisiva
o nosso desenvolvimento. Para um país que depende muito da ajuda externa o
caminho a seguir é a redução gradual da dependência face ao exterior, criando
mecanismos que permitam explorar ao máximo as nossas potencialidades, como o sol,
o mar ou o nosso posicionamento geoestratégico, que facilmente ganham eco no
discurso político, mas que na prática muito pouso se tem feito.
O primeiro passo para
enfrentarmos esses tempos difíceis, será sem dúvida a boa governação e uma boa
gestão dos recursos, que por enquanto, temos a nossa disposição, para que
possamos criar uma economia forte e competitiva e garantirmos uma boa
integração no mercado internacional e fazermos, de facto, do nosso país um
lugar atractivo ao investimento.
A boa gestão que não pode
ser confundida com uma gestão pouco ambiciosa e demasiada apegada a conjuntura.
A crise tem o outro lado da moeda: deve servir de estimulo a criatividade e a
audácia, de resto, penso ser este o que implicitamente afirmou o nosso
Primeiro-Ministro, numa declaração no inicio do ano, onde afirmou que “2013
será o quê que os Cabo-verdianos quiserem” e este é o espirito pelo qual nos
devemos nortear nestes tempos difíceis, tentado atenuar os impactos das
dificuldades atuais, mas vislumbrando o futuro, pelo qual não devemos temer, mas
agir hoje para que ela possa ser o melhor possível.
A história de Cabo
Verde nos ensina que não nos devemos resignar face às conjunturas, por pior que
elas sejam, e foi assim que se construiu este país e é assim que vencemos e
devemos continuar a vencer as nossas dificuldades. Hoje somos um país de
rendimento médio, a batalha do desenvolvimento não está ganha, bem pelo
contrário, os desafios que se nos colocam são cada vez mais exigentes e exigem
de todos um esforço cada vez maior, face aos nossos condicionalismos internos
marcada pela escassez de recursos, mas também, por um cenário internacional
pouco favorável.
Jonathan Vieira
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